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Quem Somos
Cinco anos depois, os mesmos jornais e noticiários de TV anunciavam a “grande virada” do Jardim Ângela. Os índices de homicídios despencaram para a marca de 36 mortes a cada 100 mil habitantes e pareciam a prova de que uma redenção da periferia da cidade ainda era possível.
Uma análise cuidadosa dos números sugere mais cautela na comemoração. No que se refere à violência, um morador do Jardim Ângela ainda tem mais chance de morrer assassinado do que por qualquer outra causa. Homicídios ainda são 172% mais freqüentes do que a segunda causa mortis no bairro, as doenças do coração. Por outro lado, o índice de 36 homicídios por 100 mil habitantes significa que um habitante do Jardim Ângela tem 20 vezes mais chances de morrer assassinado do que outro, morador nos Jardins Paulista, América e Europa, bairros da elite paulistana, em que se conta anualmente 1,8 morte a cada 100 mil habitantes.
Outros indicadores reforçam a idéia de que as oportunidades de vida para um morador do “Ângela” estão muito aquém das oferecidas no restante da cidade. O rendimento médio mensal de um chefe de família do bairro limita-se a 44,6% do observado no município como um todo. Um total de 55,8% dos chefes de família tem apenas de zero a cinco anos de estudos – 9,2% têm zero. Morar no bairro, para um chefe de família, significa ter, em média, dois anos de estudo a menos do que o observado na cidade.
Nesse cenário em que ainda predominam pobreza e exclusão, vive uma população majoritariamente jovem (mais da metade, ou 52% dos moradores do Jardim Ângela estão na faixa etária até 24 anos). A estatística ganha cor e ritmo quando se passeia nos becos e vielas da região, dominados por grafites/pichações e pelo movimento hip hop.
É neste contexto que a Entidade Papel Jornal propõe-se a estimular o protagonismo juvenil, dotando jovens moradores do Jardim Ângela dos instrumentos técnicos e teóricos para vocalizar suas próprias aspirações e desejos, mediante a consecução do Projeto Oficina Experimental de Jornalismo na Escola.
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Nossa História
Um breve histórico da Associação de Incentivo às Comunicações Papel Jornal
Morar no Jardim Ângela é ser portador de uma forma específica – periférica e suburbana - de ver o mundo. Foi o que percebeu um grupo de jornalistas profissionais em 1999, ao ser instado por jovens do bairro que estavam interessados em ser instruídos sobre as técnicas e a teoria necessárias a que eles mesmos passassem a contar suas histórias. A forma pretendida para esse relato era a de um jornal.
Ficou claro para os jornalistas que primeiro travaram contato com esses jovens que havia na demanda deles uma crítica subjacente aos veículos da grande imprensa (rádio, TV e jornais): a de retratar a periferia de um ponto de vista “estrangeiro”, “distante”, antropológico, verticalizado – ricos falando sobre pobres, brancos falando sobre negros, escolarizados sobre iletrados etc.
Dessa maneira, no próprio ano de 1999, surgiu a Associação de Incentivo às Comunicações Papel Jornal, uma organização não-governamental brasileira sem fins lucrativos e o Projeto Oficina Experimental de Jornalismo, a partir da união de esforços de profissionais de comunicação e educadores. Objetivo: capacitar jovens do Jardim Ângela a construir um jornal que buscasse compreender a periferia de São Paulo a partir do ponto de vista dos moradores dessa realidade social-geográfica-cultural-afetiva.
Vale ressaltar que a complexidade do objetivo proposto – criar um veículo de comunicação capaz de retratar a realidade da periferia a partir do ponto de vista da própria periferia – acabou por lançar sobre os jornalistas/educadores envolvidos no projeto uma série de desafios conexos. O principal deles: como ajudar no desenvolvimento da auto-estima do jovem pobre, seu raciocínio crítico e a capacidade de organização de idéias sem incorrer no risco da catequese tediosa?
Foi com esse desafio em pauta que se desenvolveram as oficinas de texto, reportagem, fotografia, design gráfico e cidadania, nas quais os alunos, orientados por profissionais especializados com atuação na grande mídia e na universidade, adquirem formação teórica e prática para elaborar produtos de comunicação.
O Projeto iniciou-se com uma primeira turma de 20 jovens de diferentes níveis de formação escolar. Desde então, os 105 alunos que passaram pelas oficinas elaboraram autonomamente -da pauta até o projeto gráfico, passando pela reportagem, redação e fotografia:
· 8 edições do jornal “Becos e Vielas Z/S - A voz da periferia” (com tiragens médias de 5 mil exemplares cada uma);
· 1 jornal “União Periférica” com o tema “Família” (em dezembro de 2004, com tiragem de 3 mil exemplares);
· 6 edições do Jornal Mural (tiragens de 1.000 cartazes cada, afixados em escolas);
· 4 cartilhas sobre temas de cidadania, com tiragens de 10 mil cada , distribuídas em escolas da região, em 2005-2006;
· E ainda, como indicativo de crescimento do protagonismo dos alunos na organização, foi fundado por eles e por eles é dirigido o cine “Becos e Vielas” , aberto à comunidade.
Todo esse trabalho não teria sido possível sem a parceria de entidades, órgãos públicos e empresas socialmente responsáveis, que auxiliaram teoricamente o desenvolvimento do projeto, por intermédio de uma rica dinâmica de discussões, além de terem financiado atividades da AIC Papel Jornal, em particular a impressão das publicações. São elas:
· Instituto Ayrton Senna
· Ministério da Justiça – Programa Paz nas Escolas
· Cese – Cordenadoria Ecumênica de Serviço
· Petrobras
· ONG Moradia e Cidadania, de funcionários da Caixa Econômica Federal
· Máquina da Notícia
· Unicef - Fundo das Nações Unidas para a Infância, apoio institucional
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Missão
Contribuir para o processo de democratização da mídia e complementar o processo educacional de jovens da periferia, levando aos moradores condições para que possam exercer seus direitos civis, sociais e políticos. A associação também pretende estimular a inserção desses jovens na sociedade sem que precisem sair da região onde moram.
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Valores
A entidade procura disseminar a ética, o respeito às diferenças, culturais ou de idéias. Acredita no processo educacional como meio de promoção do exercício da cidadania e da democracia
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Equipe
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Alessandro Nery |
Graduado em Engenharia Química pela Escola técnica da USP e Administração Pública pela Fundação Getulio Vargas de São Paulo, é coordenador de Unidade do Curso Objetivo, professor de Química do curso e colégio Objetivo. Também é aluno do curso de graduação de Ciências Sociais da USP e mestre pela UNICAMP - SP |
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Armando Antenore |
Armando Antenore é jornalista formado pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Entre 1989 e 1991, trabalhou na revista Saúde!, do Grupo Abril, onde foi redator, repórter e editor. De lá seguiu para a Folha de S.Paulo, onde permaneceu por 12 anos, exercendo diversas funções, inclusive a de repórter especial. Depois, editou a Revista da Jovem Pan e a revista VIP. Hoje é editor-sênior da revista Bravo!, também do Grupo Abril. |
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Cristiane Maia |
Bacharel e licenciada em Letras pela Universidade de São Paulo, com sólida experiência no segmento editorial de livros didáticos e publicações (revistas e jornais). É consultora de Língua Portuguesa do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo e professora do colégio Nossa Senhora do Rosário. Na editora Moderna foi assessora pedagógica editorial do sistema UNO de Ensino, leitora crítica de materiais de literatura e preparadora de origina para publicações. É co-autora da coleção Clássicos para o vestibular e co-autora do Projeto Pitanguá 3 e 4, publicações da editora Moderna. Trabalha em projetos de ensino de Redação ligados a Universidade de São Paulo. |
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Fernanda Mena |
Jornalista, é produtora de reportagens do programa Fantástico, da TV Globo. Foi repórter das editorias de cotidiano e Folhateen do jornal Folha de S. Paulo e editora de áreas de cultura e entretenimento do portal Universo Online. É jornalista amiga da Criança pela Agência nacional dos Direitos da Infância. |
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Joana Brasileiro |
Atua há 15 anos como design gráfico de jornais e revistas de várias editoras, entre elas Editora Globo, Folha de São Paulo. Também é instrutora dos softwares Quark Express e InDesign no instituto Europeu de Design. |
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Laura Capriglione |
Érepórter especial do jornal Folha de S. Paulo. Entre 2002 e 2004, foi publischer das revistas Marie Claire, Criativa, Crescer, Casa Jardim e Quem Acontece, editadas pela editora Globo. De 1993 a 2000 trabalhou na Editora Abril, onde ocupou os cargos de editora executiva de Veja e de diretora de novos projetos. Neste posto, idealizou e lançou, em 1999, a revista popular Viva Mais!, recordista de venda em bancas. De 1989 a 1992, foi diretora do jornal Notícias Populares. Entre 1986 e 1989, atuou como editora de Educação e Ciência da Folha de S. Paulo. |
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Marlene Bergamo |
Cursou publicidade e trabalha como fotojornalista há 15 anos. Integrou o Grupo Teia, que fez exibições cinematográficas ao ar livre, em cidades do interior de São Paulo. Expôs seus trabalhos em diversas cidades do Brasil (Belém do Pará, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba) e do mundo (Madrid, Berlin, Sittard – Holanda). Trabalhou no extinto jornal Notícias Populares fotografando assassinatos em São Paulo durante a madrugada. É jornalista Amiga da Criança pela Agência Nacional dos Direitos da Infância. Fotografou durante anos para a coluna social do jornal Folha de S. Paulo, onde trabalha atualmente, em matérias gerais. |
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Nilda Rodrigues |
É graduada em Jornalismo e pós-graduada em Comunicação Organizacional. Há mais de 6 anos atua como consultora de comunicação para organizações não governamentais, setor público e privado. Já atuou como educadora, organizou o I Fórum e Congresso de Jornalismo Ambiental, editou as revistas CONDEPOL e Com Ciência Ambiental , entre outros. Atualmente é assessora do projeto Ambientes Verdes e Saudáveis e da BibliASPA. |
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Paulo Daniel Farah |
É Professor na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanos da USP, doutor em Teoria Literária, autor de “O Islã”; “ABC do Mundo Árabe”; Por que nós brasileiros somos contra a guerra no Iraque” (co-autoria), entre outras obras. Trabalhou no diário Folha de S. Paulo, para o qual ainda escreve textos analíticos. Co-fundador do grupo Mel-Net de estudos islâmicos, é também tradutor e ensaísta. |
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Helena Vieira |
É jornalista, especializada em Economia. Já atuou como Editora e apresentadora do Jornal da Bloomberg (N.Y.), dentre e outros. |
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Gabriela Leirias |
Professora de Fotografia, Artista Visual e Geógrafa Formada pela USP, com Licenciatura pela Faculdade de Educação/USP. |
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David Michelsohn |
É Designer formado na FAAP, Trabalha como designer e ilustrador free-lancer para editoras (Abril, Trip), estúdios de design (SPO, Design Absoluto) e outros clientes. Co-fundador da revista JungleDrums. |
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Helena Vieira |
É jornalista, especializada em Economia. Já atuou como Editora e apresentadora do Jornal da Bloomberg (N.Y.), dentre e outros. |
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Louise Arosa Prol Otero |
É Bacharelada em Licenciatura em Letras: português e inglês. |
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Marco Antonio Sá |
É Fotógrafo há mais de 15 anos, também estudou Engenharia Mecânica pela U.F.R.J. e é pós-graduado em Administração de Marketing pela F.A.A.P. |
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Marco Hovnanian |
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Barnabé Medeiros Filho |
É Jornalista há 30 anos, trabalhou em jornais (entre os quais Folha de S. Paulo e O Globo), revistas e rádio. Participou da cobertura das grandes greves do ABC (1979 e 1980) e do movimento pelas Diretas Já. Atualmente atua como Consultor em Voluntariado, prestando serviço a empresas interessadas em implantar programas de mobilização de seus funcionários. Tem três livros publicados, dois sobre voluntariado e o terceiro sobre a experiência de mobilização social da ONG Cidade Escola Aprendiz. |
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Olga Vasone |
Estudou Jornalismo na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP). Foi Editora, repórter e apresentadora do programa Globo Rural, da TV GLOBO de São Paulo, dentre outros. |
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Silvana Martins |
Estudou Desenho Gráfico na London Metropolitan University, Londres, Inglaterra, já atuou em diversos veículos. |
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Erika Fischer |
Cursou Administradora pública pela Fundação Getulio Vargas de São Paulo, tem atuado voluntariamente em organizações do terceiro setor em São Paulo e Santa Catarina, em particular naquelas com atuação sócioambiental. Foi Co-fundadora da Associação em Defesa da Juréia, tradutora-intérprete da Rain Forest Foundation. Também trabalhou como avaliadora técnica dos projetos sociais do programa Petrobras Fome Zero 2006. |
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